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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Devaneio (2)

O ser humano sempre viveu uma busca “alucinada” para dar sentido a sua existência. Primeiro ele vivia “livre”, sem horários rígidos, era orientado pelo sol e pela lua, mas era alienado pela força, ou seja, era obrigado a servir os senhores, embora naquela época muitos vivessem nos campos e se alienavam através do dia-a-dia imutável, com a mesma rotina diária.

Com a revolução industrial, muitos camponeses abandonaram o campo e foram em busca de uma “promessa de vida melhor”, grande desilusão. As fábricas alienam mais do que o campo, criam horários rígidos, metas de produção, condições de trabalho humilhantes. Sem tempo para convívios social o descontentamento é ainda maior.
E hoje temos acesso a tudo, vivemos numa era “digitalizada”, aonde se chega a tudo e todos, em um mundo onde “ninguém é uma ilha”, mas estamos tão alienados como sempre estivemos. A tecnologia e a ciência não “cumpriram com sua palavra” quando prometeram o tão esperado “tempo para nós” conforme se avançasse o conhecimento.

Não é isentar a culpa de um lado e colocá-la no outro, há uma parcela de culpa em cada lado da questão, do alienante (sociedade, fábricas, instituições religiosas, instituições educacionais, mídia e afins) ao alienado. Mas acredito que o indivíduo nunca teve a capacidade de discernir direito o que lhe convém, a busca do “eu” nos leva a lugares que, às vezes, tornam-se angustiantes e sem uma “saída” aparente. Citando Viktor D. Salis “o homem moderno não sabe ociar. Se o deixamos sem ter o que fazer, ele se distrai com algo que o anestesie, ou fica numa angústia enorme”.

Não temos prazer em fazer as coisas porque não encontramos um sentido para elas, o trabalho por si só não aliena, a nossa condição, nosso estado psicológico é que favorece a alienação, mais ou menos como “mente vazia oficina do diabo”. Ouso dizer que, enquanto não alcançarmos um nível “intelectual” mais elevado, estaremos à mercê de todos os fatores que alienam, pois nossa busca eterna pelo “eu”, empurra-nos ao consumismo, à “escravidão” intelectual, ao aprisionamento racional. Impõe-nos que devemos trabalhar mais, nos mexer mais, sacrificar mais nossas famílias, amigos e qualquer tipo de relação pessoal em detrimento de uma busca para a solução do problema que nos envolve. Fazemos perguntas das quais não queremos saber as respostas. Estamos “fragilizados”, e isso é uma oportunidade enorme para ficarmos, cada vez mais, alienados.

Numa interpretação pessoal, a alienação nada mais é do que a falta de sentido para as coisas, ou seja, o individuo faz, mas não sabe por que faz e, no entanto, se angustia por estar nesse estado de “ignorância”.
O oráculo de Delfos já sentenciava: “Conheça-te a ti mesmo” e esse sempre foi o vinculo que falta ao ser humano, jamais seremos capazes de viver enquanto não aprendermos a estar vivos.

“Quem trabalha perde tempo precioso” (Domenico de Masi).

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

De volta do ócio...

Depois de um tempo de ociosidade, o Fanática Indecisão está de volta e “repaginado”. Resolvi alterar o layout pois o outro não tava 100% (coisas de net que não consegui resolver)...

Algumas coisas aconteceram durante o Ócio Criativo do Fanática (aliás, Ócio Criativo é um livro muito bacana que merece ser lido inúmeras vezes), mas não tô afim de ficar remoendo fatos que já foram muito batidos.

Em vez disso vou deixar algo que ilustra bem o jeitinho brasileiro de corromper, afinal, se temos político corruptos é por que os queremos, certo?! E se não for, que se dane! “Tô pôco me lixando pra opinião pública”. Vamos aos fatos:


Um prefeito do interior queria construir uma ponte e chamou três empreiteiros: um alemão, um americano e um brasileiro.
- Faço por US$ 3 milhões - disse o alemão - Um pela mão-de-obra, um pelo material e um para meu lucro.
- Faço por US$ 6 milhões - propôs o americano - Dois pela mão-de-obra, dois pelo material e dois para mim. Mas o serviço é de primeira.
- Faço por US$ 9 milhões - disse o brasileiro.
- Nove? - espantou-se o prefeito.
- É demais! Por quê?
- Três para mim, três para você, e.... três para o alemão fazer a obra!!
- Feito....!!!!

É por essas e outras que eu ainda me jogo pra política...